Resenhas

A Mulher na Janela (A.J. Finn) e a linha tênue entre paranóia e realidade

Anna, a personagem principal, é uma mulher extremamente falha. E por isso, muito fácil de empatizar com, o que é fundamental para o andamento da narrativa. Ela sente falta da família que está longe, ela sente falta de conseguir sair de casa e desconta esses problemas com vinho e automedicação.

Anna Fox mora sozinha na bela casa que um dia abrigou sua família feliz. Separada do marido e da filha e sofrendo de uma fobia que a mantém reclusa, ela passa os dias bebendo (muito) vinho, assistindo a filmes antigos, conversando com estranhos na internet e… espionando os vizinhos.

Quando os Russells – pai, mãe e o filho adolescente – se mudam para a casa do outro lado do parque, Anna fica obcecada por aquela família perfeita. Até que certa noite, bisbilhotando através de sua câmera, ela vê na casa deles algo que a deixa aterrorizada e faz seu mundo – e seus segredos chocantes – começar a ruir.

Agorafobia: a palavra vem do grego e significa ‘medo da ágora’, ou seja, medo de transitar em lugares públicos e grandes espaços abertos.

A Mulher na janela

Anna, a personagem principal, é uma mulher extremamente falha. E por isso, muito fácil de empatizar com, o que é fundamental para o andamento da narrativa. Ela sente falta da família que está longe, ela sente falta de conseguir sair de casa e desconta esses problemas com vinho e automedicação.

Sob esse contexto caótico de sua vida, enquanto ela espiona seus vizinhos (um de seus passatempos favoritos), ela presencia um acontecimento que vira tudo de cabeça para baixo.

A genialidade de A Mulher na Janela, é como A.J. Finn consegue pegar uma premissa batida e já magistralmente executada por Alfred Hitchcock em Janela Indiscreta, e transformar em algo íntimo e novo. Há muitos momentos em que você quer muito acreditar que tudo aquilo está acontecendo e apoiar a nossa “heroína”, mas a leitora, assim como Anna, não consegue mais discernir o que real e o que não é.

Às vezes tenho a impressão de que estou afundando no meu próprio cérebro.

a mulher na janela

Quanto a construção do mistério, o autor é muito hábil ao te dar todas as pistas que você precisa, porém, assim como para Anna, elas estão espalhadas e misturadas em uma série de acontecimentos caóticos cuja a realidade você não tem certeza.

Outra jogada de mestre e a utilização do gosto de Anna por filmes antigos, como forma de moldar a história que está se desenrolando. Caso você também seja uma apreciadora desse tipo de filmes, é possível ver a narrativa evoluindo junto com os filmes citados e assistidos por Anna, inclusive a influência óbvia, Janela Indiscreta.

A Mulher na Janela tem um mistério bem construído que te mantém conectada a cada página! Além de contar com uma personagem principal forte, pela qual é impossível não simpatizar, não torcer e não ficar braba e desesperada toda vez que ela faz alguma burrada ou algo que vá acabar a prejudicando. Além disso, é uma leitura rápida, possível de acabar em uma semana ou até em um final de semana para leitoras mais viciadas mais rápidas.

Em algum momento de 2020, deve sair uma adaptação para o cinema com Amy Adams no papel principal, confira o trailer:

E caso você queira saber todos os filmes citados em A Mulher na Janela, confira essa lista no Latterboxd. Eu particularmente recomendo ver antes de ler os seguintes:

Um Corpo que Cai (1958)

A Sombra de Uma Dúvida (1943)

Janela Indiscreta (1954)

A Dama Oculta (1938)

Análise Final: Maravilhoso

Avaliação: 5 de 5.

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